21 de dezembro de 2009

Ringo!

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Sempre gostei muito do Ringo. Ele passa a ideia de não se preocupar em ser o baterista dos Beatles. George, desde o início, parecia não se importar também, mas não tanto quanto ele. John era centrado. Paul sempre soube quem é.

São só impressões, é claro. Mas gosto de imaginá-los assim: in the adult world of the fame, Ringo as the most childish of them.

18 de dezembro de 2009

Daqui pra frente

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2009 ainda não acabou, mas posso dizer que foi um ano bom. Principalmente porque me sinto mais jovem do que no ano passado, o que é ótimo. Espero ficar ainda mais novo no ano que vem.

8 de dezembro de 2009

Fluxo

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Cachorros correm sob a forte chuva. Um empresário refaz as contas e tenta salvar o mês. Um dono de bar vê no filho um jogador de futebol. A dona de casa, que casou-se com um príncipe, vê a vida perder o encanto. Um peão disfarça na cachaça do dia o quente que à noite lhe falta.

Uma jovem vende produtos da Natura. Um lojista limpa a vitrine. Doces meninas desfilam desejos juvenis. Um moço trabalha das sete às cinco, toma banho rápido e corre para o ônibus, à caça de um diploma.

Um a um, cai: o artista que sabe muito e não tem platéia, a platéia que muito quer e nada tem, a mulher que aos 40 procura uma companhia, a garçonete que sonhava em ser atriz, a atriz que aos 40 procura um papel.

A chuva cessa e o sol ameaça sair. A fila do banco pouco anda. E a do pronto-socorro não anda. O cigarro, ainda aceso, briga com o tempo. As poças d’água revelam mau recape. Os pássaros sobrevoam as casas. As bancas vendem os jornais do dia. Os jornais de ontem embrulham os peixes de hoje. O dinheiro troca de mãos. Camisas de futebol circulam.

Posto no blog. Você pára um pouco e lê. Tudo o mais segue. Os cachorros comemoram o sol.

4 de dezembro de 2009

Narciso

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Uma flor bonita e solitária, que nasce na beira dos rios e tem uma vida bastante efêmera, é conhecida como Narcisa. Colorida, ela se destaca da mata ao redor, exuberante, chamando toda a atenção para si.

Seu nome é referência a mitologia grega, de onde vem a história de Narciso, um homem extremamente bonito que se apaixona por sua própria imagem refletida na água. Enamorado por si mesmo, no entanto, ele se afoga no rio, o que expressa a idéia de que amar demais a si próprio é um risco preponderantemente letal.

O culto à imagem é antigo e não parece estar no fim. Pelo contrário: está intrínseco na pós-modernidade. Quanto mais belo, melhor, embora o signo da beleza não seja, para todos, o mesmo. Ao que parece, buscar a si mesmo é buscar um encaixe no ideal de beleza que mais lhe agrada. É “estar com os seus”.

Bom, mas tudo isso são apenas impressões, que poderiam ser particulares. E não são, porque tenho meu lado narcisista também. E um blog para expressá-lo.

1 de dezembro de 2009

Binoche (e Jacob)



Nunca gostei tanto de uma atriz quanto de Juliette Binoche. Acho muito bom tudo o que ela faz, sem contar que a considero uma das mulheres mais bonitas do mundo! Simplesmente a achei impecável em todos os trabalhos que vi, com destaque para O Morro dos Ventos Uivantes, A Insustentável Leveza do Ser, Chocolate, O Paciente Inglês e A Liberdade é Azul.

Je Vous Salue, Marie, que Godard filmou em 85, foi seu primeiro grande trabalho, mas nunca o encontrei. Este e Al di là Delle Nuvole, inclusive, são meus "filmes perdidos" favoritos, embora o último não tenha Binoche. Conta, e compensa, com outra grande atriz, a também francesa Irene Jacob.

26 de novembro de 2009

Sobre o que é áspero

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No mundo adulto, algumas regras são necessárias para que tudo fique em paz. É preciso ser complacente com quem comanda, seja o chefe da empresa ou o professor. Não é preciso dizer, portanto, que falar o que se pensa, se contrário ao senso de quem tem o poder, deixa qualquer um em maus lençóis.

Frente à sinceridade da palavra, dizem os donos da caneta, sem olhar nos olhos: "acho áspero da sua parte". Porque no mundo adulto tudo tem que ser um grande faz-de-conta, e mais vale a felicidade da mentira, ser complacente com a idéia de justiça, que a infelicidade e a aspereza da verdade.

Paga-se muito caro para ter suas próprias opiniões. Quem se propõe a pagar por elas sabe bem o quanto custam.

12 de novembro de 2009

Escolha

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Seria bom manter uma visão existencialista sobre as coisas, com todo o seu pessimismo e realidade, e ao mesmo tempo ter a fé das lavadeiras, dos adoradores de santos, como se fosse possível coexistir a infelicidade da verdade e a felicidade da mentira. Acreditar concluindo.

Mas, das duas, uma: ou conclui-se ou acredita-se. O mundo é um lugar apaixonante justamente por isso: a escolha é sempre sua.

10 de novembro de 2009

Bobagem no céu

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Se na noite de ontem o céu tivesse mudado de cor, talvez para amarelo, ou ficado por um momento sem qualquer estrela, e ninguém tivesse lhe contado, você teria notado? E se eu disser que ontem havia uma porção de estrelas diferentes que, estranhamente, formava uma figura animalesca?

Certo, não vou dizer, é verdade, pois eu também não o notei. De repente, não havia nada de errado, estava tudo igual: aquele fundão preto com um monte de pontinhos brancos. E, além disso, abri a página do UOL agora mesmo e não havia nada. E se não publicam uma notícia dessas, é porque nada aconteceu ou não tem importância.

E outra: quem tem tempo de reparar numa bobagem dessas?

6 de novembro de 2009

Romantismo

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Definitivamente: este não é um mundo romântico. Ou melhor: deixou de ser. Não há mais cartas ou espera. As coisas chegam rápido demais e todo mundo consegue saber tudo, ou quase tudo, sobre todo mundo. 

Quase não há segredos. Os escândalos são pré-fabricados. A multidão segue o fluxo; e você e eu estamos no mesmo barco: a gente corre o tempo todo e não dá conta! Cada um corre o seu perigo: o tempo já não cabe no relógio, e o relógio já não cabe no dia. Dito de outra forma: eu queria imaginar os corpos de Marilyn Monroe ou Anna Karina. Ter escondido no guarda-roupa uma pin-up. Não saber como as pessoas são por trás de quem são, ter que passar algum tempo para descobrir algo novo, me sentir de alguma forma instigado. 

Mas não! Está tudo na internet, desvendado e escancarado para consulta. Juliette Binoche está na rede de todo e qualquer jeito. Se não tenho acesso, alguém digitaliza. A um segundo, pelos meus dedos, vejo coisas incríveis. Assim, dessa forma, só preciso da memória para lembrar de tudo que não posso ter.

Mas que coisa: temos tudo, mas não temos nada. Conversamos com o mundo inteiro e não vemos ninguém. Somos íntimos sem sequer ter apertado a mão. Temos centenas de amigos virtuais, a toda e qualquer hora, mas ninguém a fim de correr na chuva ou fazer algo diferente. Um mundo inteiro à vista  e a gente preso em três metros por quatro, em qualquer lugar sufocado pelo concreto. 

Não digo que isso é bom ou ruim, não é esse o propósito. Mas, definitivamente, romântico não é.

5 de novembro de 2009

Lévi-Strauss e a má sorte

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Para se defender da acusação de que suas letras eram pretensamente intelectuais e elitistas, ao citarem, entre outros, Camus e Sartre, Gessinger, dos Engenheiros do Hawaii, disse à Bizz numa entrevista bem antiga que não mencionava o existencialismo francês para agradar aos críticos, até porque isso era kitsch e demodé. E disse que, se agradar a crítica fosse sua intenção, o faria citando Lévi-Strauss na Baía de Guanabara.

Foi assim, de maneira insólita, que tive o primeiro contato com antropologia, ao me perguntar "quem é Lévi-Strauss?”. Descobri, entre outras coisas, que se tratava de um grande intelectual que havia achado o Rio de Janeiro feio, e mais ainda a Baía de Guanabara, que lhe pareceu à primeira vista uma boca banguela, o que para a crítica  sobretudo a paulista  foi um louvor.

Li uma coisa ou outra sobre e abandonei, já que, aos 15 ou 16, não estava muito a fim de coisa parecida.

Depois, me deparei com Lévi-Strauss na faculdade. Tive aulas de estruturalismo e passei por textos clássicos, a maioria de Tristes Trópicos. Sem o entusiasmo devido.

Até porque ele nunca esteve entre meus favoritos, e na faculdade menos ainda, talvez mais por minha má sorte  e que má!  ao ter que aprendê-lo com um péssimo  e que péssimo!  professor, um sujeito bem arrogante e de fala tatibitate, do que propriamente por não me sentir íntimo de seus textos. Mas, é claro, sei que Lévi-Strauss é fundamental, motivo pelo qual também sei que obrigatoriamente terei que aprendê-lo. Está na minha lista de "coisas úteis a fazer".

Como ele partiu no último domingo, uma semana antes de completar 101 anos, está em todo lugar que sua perda é irreparável, o que me fez lembrar o quanto gostaria de tê-lo aprendido ainda na faculdade. E quão grande foi a minha má sorte ao ter tido um professor tão ruim.

29 de outubro de 2009

Brisa

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Vontade de tirar o tênis e andar descalço. Pisar na areia, sentar em alguma pedra do litoral, pular logo esta tarde. Vontade de ensaiar com os amigos, sentar a baqueta na caixa. Dar um abração em minha vira-latinha, sentir seu pelo na barriga. Vê-la se divertir.

Vontade de fazer qualquer coisa que dê na telha, qualquer coisa que não precise da camisa certa, de um discurso correto. Vontade de por os pés na grama ou num lugar onde, realmente, valha a pena.

21 de outubro de 2009

Mel e Fel

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Conheço muito bem o cheiro da cana de açúcar, afinal cresci com ele impregnado nas roupas. A casa onde moro por pouco não faz divisa com a Usina Iracema — um muro, um campo de futebol e uma estrada de terra. 

Desde criança, tenho decorado na cabeça o som das chaminés. Quase posso cantarolar a melodia dos apitos de descanso, do maquinário e do lume queimando. Feito uma música estranha que, de tão repetitiva, tornou-se familiar.

Cresci na terra andando de bicicleta no meio do mato. Ia com meus amigos fazer trilha, andava descalço, corria solto por aí. Jogava bola na rua e voltava para casa com a roupa cheia de cisco. O cheiro agridoce era mais forte antes, nos anos 80 e 90, mas já não sentíamos. Tudo era tão normal que estava intrínseco aos demais aromas, era tudo parte da rotina dos sentidos. 

Já adolescente, percebi o quanto minha cidade é dúbia: artesanal e industrial — com a inglória posição de estar no coração econômico do país, a duas ou três horas de São Paulo. E aprendi que é por isso que viver aqui é tão bom: não há a efervescência das metrópoles, mas vive-se tranquilo e é possível andar com o vidro do carro abaixado. Do mais, quando preciso, em poucas horas estou na maior cidade do país, não é tão difícil encontrar o agito. 

Além disso, há alegrias inerentes aos concidadãos que jamais vi em outro lugar: a de se atentar, de coração, ao ouvir o alto-falante da caixa d’água anunciar as novas do dia, a de dar bom-dia a estranhos, a de perguntar “de quem somos gente”, entre outras e outras coisas. 

Tenho muito orgulho de ter os pés vermelhos desta terra e o nariz inalando o cheiro de sua cana. Quem não é de Iracemápolis e pensa que conhece o aroma de um canavieiro, está redondamente enganado: o daqui é diferente!

20 de outubro de 2009

Friends

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Há amigos que nunca saem da memória, independente do tempo, se nos falamos há um minuto ou há anos. E tenho sorte pelos que tenho: não são muitos, mas são fiéis. Pessoas que admiro, que têm um coração enorme, e que me dão, cada uma ao seu jeito, um sentido para existir.

Para alguém como eu, sem a crença da maioria, uma boa razão para acordar, escovar os dentes, trabalhar, sorrir ou fazer qualquer bobagem é, justamente, esta: cultivar as amizade — e amá-las, até o fim.

19 de outubro de 2009

Alter ego

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Quando cheguei perto, era tarde da noite, fui sincero: "Você realmente acha certo?". Ao que ele respondeu: "Não, mas é o nosso trabalho!".

Então voltaram, pelo quinto ano, aquelas inquietações. Afinal, profissionalmente, não me orgulho de outubro. Em nada. Dormiria no último dia de setembro e acordaria no primeiro de novembro com o maior prazer. Vejo-o intelectualmente desonesto. Daria, se dependesse de mim, outra leitura ao mês, o faria calcado em algo produtivo para todos. Uma Feira de Ciências. Porém, dentre tantas, há duas coisas incorrigíveis que norteiam a sociedade: a insistência com a moral e a confusão que se faz entre democracia e demagogia.

"E não somos páreo?", perguntei. "Ninguém é", respondeu ele, e apressou-se em dormir, afinal, a segunda-feira não tardaria a chegar. Fiz o mesmo, pensando comigo que, definitivamente, vai ser uma semana daquelas.

16 de outubro de 2009

O que é de mim

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Não tenho talento para lidar com a emoção. Ser frio encontra aqui o seu fim: tento gelar tudo ao meu redor para neutralizar a chama interna. Não provocá-la. Fechei aliança com meu lado racional. Não sei, ao certo, o motivo.

Quem eu fui e quem eu sou são dois seres igualmente famintos por uma vida mais leve. Como fui e como sou, não necessariamente. Prefiro os sentimentos na coleira.

Quem eu fui e quem eu sou se confundem também, é claro. Mário Quintana me ensinou uma vez e nunca mais esqueci: "O passado não reconhece o seu lugar no tempo, está sempre presente".

8 de outubro de 2009

Feixe de Idéias

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Dia corrido ontem. Preparei em parceria com o irmão-de-idéias Daniel um novo projeto que logo estará na praça. Ficou muito bom. Na prática, o fizemos bem rápido, embora pensamos um século antes de começá-lo.

Agora é hora de cuidar de outras coisas. Ir ao banco, ver a conta telefônica, por gasolina no carro etc. Nem tudo são flores, não é possível viver de um ideário. O que é uma pena!

5 de outubro de 2009

Ainda sobre

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Ler Platão é menos voltar-se ao passado que olhar em frente. Tenho essa impressão sempre que encano com ele. Agora estou no Diálogos. Redescobri que sou apaixonado por esse livro.

Andava longe do mundo das ideias.

2 de outubro de 2009

Contemporâneo

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No mito da caverna, Platão fala sobre a escuridão que há fora da luz da verdade. Em sua parábola, homens presos numa caverna não conseguem ver a natureza do mundo com suas cores reais, mas apenas sombras, por onde desfrutam da beleza que há sem, de fato, vê-la. 

Reli trechos de A República na madrugada de ontem, e sempre que isso acontece me faço um monte de perguntas. Mudou muita coisa entre os homens de Platão e os atuais? Aqueles sujeitos são tão diferentes destes de agora, tantos séculos à frente? Ou comportam os de hoje como personagens que, aprisionados, não vislumbram um mundo inteligível e tiram conclusões a partir de sombras desprovidas do real?

Fáceis respostas. Minhas indagações foram, na verdade, uma tentativa de provar o contrário. Afinal, não podem ser tão próximos dois mundos tão distantes.

30 de setembro de 2009

O peso subjetivo do que somos

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Há um dado na estante. Ele está lá, parado, e você tem certeza de que nunca sairá de lá, porque acha que é seu. E é, até você o perder.

Por algum motivo, você pega um pedaço de papel e joga fora, afinal, papéis são todos iguais. Mas aí, um belo dia, você percebe que não é bem assim, pois aquele pedacinho de sulfite, com seus rabiscos e particularidades, era único.

O que dá sentido às coisas não são as coisas, mas o significado atribuído a elas.

Tudo isso é bem clichê. Mas todo clichê é fruto da repetição constante ou inconstante da verdade. A vida é a repetição subjetiva do que se faz de bom e ruim. Somos frutos de cada dadinho que se foi, de cada papelzinho. E se amamos a nós mesmos, amamos o significado de cada cheiro, sabor ou tato colecionados ao longo do tempo. A história que nos trouxe até aqui é a história do que somos.

28 de setembro de 2009

Os brucutus

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Ontem o bicho pegou na Praça. Dois sujeitos começaram uma briga que, mais tarde, transformou o clima familiar num ambiente pesado. O público em volta, claro, chamou a atenção: a cada soco, corria todo na mesma direção, como gados, para depois voltar ao lugar de origem, onde outro seria desferido.

Triste cena, e não estava. Uma banda tocava no palco. Curiosamente, abriu o show com "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band", cuja letra diz: "You are such a lovely audience". Os músicos interromperam a apresentação. Antes, não só crianças andavam no local, mas também muitos vira-latas. De lixo em lixo, rodavam à procura de comida.

Sobre a briga, dado momento um sujeito mais baixinho fez um único movimento, aplicando um cruzado de direita que, nunca vi igual, foi suficiente para derrubar o adversário. Algumas pessoas tentaram reanimar o coitado no chão, sentiram pena do rapaz.

Eu, ao contrário, senti mais pena dos bichos que, assustados, foram forçados a irem para outro lugar, longe dos homens. Ninguém notou: infelizmente, chamam menos atenção do que dois brucutus descendo o braço um no outro.

25 de setembro de 2009

Hoje

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Hoje acordei encaetaneado. E, além de Caetano, passei a manhã ouvindo Belchior. Vim a pé para o trabalho. O céu está azul claro, com poucas nuvens, mas todas de algodão. Tem uma que é igual ao mapa da Itália e outra que parece muito com pulmões! Comecei um novo conto.

Por detalhes. Na noite de ontem ouvi "Tigresa", voz e violão, e hoje tudo ficou mais leve. Dormi e amanheci com ótimas trilhas. No banho, cantei "Alucinação". Porque a vida é o não-sentido das coisas. Mas nada de pânico, quando, diz Caê, se pode tocar um instrumento. Um violão, uma gaita, uma caixa de fósforos. Uma caneta que batuca na carteira da escola. Nada ensina mais. Nada pode ser maior.

21 de setembro de 2009

Ser quando crescer

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Dois e dois são quatro e a qualidade do ensino no país não é das melhores. Óbvio até para uma criança. No entanto, ser ruim não é a pior contribuição do sistema de ensino para a sociedade, embora seja terrível. Há outra, subjetiva e mais difícil de corrigir, ainda mais grave: a insistência com a moral.

Essa, além de justificar muitos erros, também contribui para não raras vezes jogar a culpa pelo pífio desempenho educacional nas costas do aluno. Ela transfere responsabilidades, principalmente quando o sistema justifica suas falhas em ditados moralistas como, por exemplo, “o aluno não aprende porque não quer”.

A forma como algumas questões são abordadas no ensino, por quem dirige e por quem põe a mão na massa, é absurdamente controversa. Dizem que é na escola que moldamos nossos valores, mas ao mesmo tempo eles são apenas transmitidos. Isso tem uma diferença enorme.

Afinal, uma coisa é estimular uma criança a pensar, passando a ela a importância do processo de reflexão para a construção da sociedade etc. Outra, completamente diferente, é transmitir conceitos moralmente prontos, acabados, de "certo" e "errado".

Reforçam, dirigentes e professores, a noção de "sucesso", por exemplo. Fica transmitido o sucesso como projeto de vida, mas o medem pelo que se faz e se tem, o que deixa subjetivamente colocado o fetiche de que, na vida, o mais importante é ter e não ser. Ou que ser na vida é ter.

Dentre tantas, essa é uma das maiores atrapalhadas da moral. Pois faz com que a criança aprenda, desde cedo, a responder o que quer "ser" quando crescer. Que pergunta violenta! Fica pressuposto que, enquanto não se tem trabalho, não se é nada. O pai desempregado e o irmão sem profissão, tão comuns, inclusive.

18 de setembro de 2009

O que é de cada um

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As pessoas valorizam tudo aquilo que fazem quando não podem ser vistas. Ninguém é o que é quando há mais alguém no quarto, mesmo escuro. As pessoas só são verdadeiramente aquilo que são quando estão sozinhas.

15 de setembro de 2009

Bichos

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Bichos são bem emocionais. Não conhecem o passado, não se importam com o futuro. Para eles, vale o presente, correr em direção de quem gosta e rosnar para quem não conhece. Não que o bicho-bicho, ao rosnar, queira briga. Ele apenas quer que o deixe em paz, que não o perturbe, que o deixe curtir a vida com quem se identifica.

Os homens, ao contrário, contam com a ajuda da razão. Não se resumem ao presente. Conhecem o passado, o relembram, e vivem fazendo as mais sérias previsões sobre o futuro. Quando é preciso, o bicho-homem sorri para quem não gosta e finge não gostar de quem realmente gosta. Não é raro querer briga, mesmo sem motivo. Em muitos casos, deixa de lado um amor por questão de conveniência.

Não sei se sou mais bicho-bicho ou mais bicho-homem. Só sei que existe um ou outro bicho-homem com um pouco de bicho-bicho, embora não exista nenhum bicho-bicho que tenha algo de bicho-homem. O que sei, porém, é que gosto muito mais do bicho-bicho. É, sem dúvida, uma espécie muito mais confiável. E, além de tudo, sua lambida é bem mais molhada!

12 de setembro de 2009

O que é de todos

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Passei a manhã toda pensando num ditado árabe que diz: "O guarda-chuva pode até ser seu, mas a chuva sempre será de todo mundo".

10 de setembro de 2009

Sobre a verdade de hoje

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Li em Bauman que praticamente nada se torna tradição na vida pós-moderna. As coisas não se repetem, porque são substituídas por algo novo. Como nada tem forma, também não tem fronteira e se liquidifica, tornando-se efêmero. As coisas não têm importância, pois, se tudo é passageiro, não há motivos para se criar vínculos. Por que ir à fundo se amanhã será diferente?

Essa é a verdade de hoje, embora a história nos mostre que há muito perigo na montagem da verdade. Só não sei se a vida precisa de certezas: ando duvidando, cada vez mais, das verdades que me dizem.

8 de setembro de 2009

Teen Scream

Te.
Em 2001, escrevi uma letra para minha banda, a Nuvem Aquática, chamada "Esquinas". Tocamos essa música por um bom tempo e depois a abandonamos. Porém agora, quase oito anos depois, voltamos a mexer nela.

A gente sempre tocou a música em português, mas tenho guardado uma versão da letra em inglês, que ficou bem legal.

Corners

in every corner of this city
there’s forlornness everywhere
sad boys asking for money
real scenes from any day

each street that I walk
sprayed walls, trash on the angles
teenagers loosing their charm
immorality scenes from any night

but, only who knows,
in a filthy alley
where beggars ask for changes
it’s not too late
and it’s not all
but only a little

at each day of this city
attention is took for granted
loosed in the corners
in the running of our cars

pass one and other corner
it’s the hot days and cold nights
ask for money, ask for changes
by the windows of our cars

only who know
about this filthy alley
where beggars ask for changes
realize that is too late
and in this world
we are all subordinate

youth should be the period
that we would pass
discrediting on TV and waiting the future
a rude world wasn’t to have
nobody cares about we think
an if the right is wrong
we got everybody up on the wall

4 de setembro de 2009

Papéis!

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Nos últimos dias, vários pedacinhos de papel me caíram no colo, com uma citação, o número de algum telefone ou um desenhinho tonto que fiz em alguma aula muito antiga, enquanto o professor divagava e eu pensava em música, filmes ou qualquer outra coisa. Poesias, trechos de textos que rabisquei, projetos que tinha em mente por em prática algum dia e não duraram o fim da aula.

Num desses papéis, achei uma frase que adoro: "O tempo no inconsciente nunca passa". Devo ter lido em algum livro. Além dessa, achei outras, soltas em tudo quanto é tipo de papel: de caderno, de boca e até de pão! Poderia colocar várias aqui.

Mas vou citar só mais uma, que encontrei dobrada no meio de uma antiga lista telefônica: "Talvez faça parte do amor aprender a deixar partir".

3 de setembro de 2009

Toninho

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A faculdade de Ciências Sociais tem ratificado minhas dúvidas, e criado outras, o que me leva a entender que escolhi o curso certo. Muitas me vêm nas aulas do professor Antonio Luis. Seja dentro ou fora da sala de aula, seja discutindo a matéria ou assuntos extra-curso, o véio Toninho sempre tem algo a dizer. E de modo único.

Com ele, tive ensinamentos que, para mim, são geniais. Citações como “o diabo é perigoso: não porque é mau, mas porque é velho” ensinam mais do que um curso todo. Toninho é meu professor favorito.

1 de setembro de 2009

1º post (outra vez)

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Impressões sobre o mundo adulto passa a ser o nome do blog a partir deste post. Resolvi renovar, pois havia mais de um ano que estava a mesma coisa e já havia cansado.

Alterei cores e limpei o layout.

4 de agosto de 2009

Lista à toa de pessoas diferentes com algo em comum

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Louis Armstrong, o cara do trompete
Juba da Blitz
Márcio Túlio do Jota Quest

Cole e Dylan Sprouse, os irmãos
Max Cavalera
Burle Marx
Marcos do Palmeiras

Elizabeth Bowes-Lyon, a Rainha Mãe
E, até, ele:
Barack Obama!

... ah!
E, também, eu!

1 de junho de 2009

Matemática

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Em números, a tradução de um mês repleto de gratidão e decepção. Guardarei com carinho as alegrias e o voluntariado dos amigos. O que é incondicional é inesquecível. Ficará, para sempre, na lembrança.

01. 9 / 02. 7 / 03. 9 / 04. 8 / 05. 9 / 06. 9 / 07. 6 / 08. 6 / 09. 8 / 10. 8 / 11. 7 / 12. 7 / 13. 9 / 14. 7,5 / 15. 7 / 16. 6 / 17. 7 / 18. 8 / 19. 3
Média: 7,3

5 de maio de 2009

Outro dia

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Quando John, do Pato Fu, bateu o primeiro acorde de "Capetão 66.6 FM" quase me esqueci do cansaço nas pernas. Foi histórico os berros de “capetão!” bem em frente à Igreja central de Iracemápolis.

Uma pena a equipe "Pato" não ter a consciência disso. Talvez um de seus roadies, um mané chamado João, não assaltasse a geladeira à tarde, levando em sua mochila cervejas, refrigerantes, todynhos e outras coisas mais. Ainda bem que ele não sobe ao palco. Que João mais Zé!

8 de abril de 2009

Deixa o Verão...

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"Deixa o Verão". Ou "a música do Mun-Há", segundo a Mari.

10 de março de 2009

Nietzsche e a Memória

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"Eu fiz isso", diz minha memória. "Eu não posso ter feito isso", diz meu orgulho, e permanece inflexível. Por fim, a memória cede.
(Nietzsche)

4 de fevereiro de 2009

9 de janeiro de 2009

Kitsch

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"Porque nenhum de nós é o super-homem e escapa totalmente ao kitsch. Por muito que o desprezemos, o kitsch não deixa de ser parte integrante da condição humana". (Milan Kundera)

6 de janeiro de 2009

2009

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Ano novo, vida nova!
Feliz 2009!