26 de dezembro de 2013

Ponte

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São dois momentos especiais: a primeira e a última vez. A ponte que liga ambos é uma espécie de relógio divino: tem o seu próprio tempo, e esse tempo nunca é igual ao nosso. É bom quando acontece o primeiro sem previsão. E ruim quando não se nota o último.

Em todas as pontes que, sonhando, caminhei, foi assim: a primeira vez sempre me pegou de surpresa. E a última também.

15 de dezembro de 2013

Reset

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todo dia / é dia / de reorganizar
todo dia / é dia / de colorir

se o mundo é turvo / crie outro / se deixe entrar

todo dia / é dia / de incutir
reviver / todo dia / e recriar

9 de dezembro de 2013

Registro

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Armada até os dentes, aquela brisa suave de antes agora é um vendaval. Deixa tudo para trás, quer outros cantos, dobrar outras esquinas, quer novos vôos, o mundo é tão imenso!

Continuo sendo o mesmo, a velha esquina entre realidade e utopia. Tenho dois pés, e um deles insiste em não tocar o chão, tenho a mim, agora só a mim, e o coração pulando. Não tenho ideia de como será daqui pra frente. Há buracos em meu mapa, deve ter sido o tempo.

"Mundo, vasto mundo: mais vasto é meu coração". Eu perdi aquela brisa, deixei passar. "Folhas dançando", agora longe.

3 de dezembro de 2013

A memória

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A gente é fruto do tempo e de suas circunstâncias. Isso cria a única coisa que existe: a história. O que nos faz crescer é justamente isso: ter laços, aprender, construir, ter vivido tantas madrugadas e manhãs. Ter tido vertigem e sono, mas, acima de tudo, uma escrita. 

Tudo muda, menos esse texto. Nesse caderno invisível, não há como retirar folhas ou apagar qualquer palavra. 

A memória é uma gaveta imaginária. Ela é sempre presente, pois somos a soma de tudo o que há ali dentro. Se me traz saudade, é prova de que o tempo não foi em vão. Guardado, como aquelas coisas que ficam numa caixinha de sapato no guarda-roupas, fica o que jamais deixará de ser importante para mim, mesmo que não signifique nada para mais ninguém.