21 de dezembro de 2009

Ringo!

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Sempre gostei muito do Ringo. Ele passa a ideia de não se preocupar em ser o baterista dos Beatles. George, desde o início, parecia não se importar também, mas não tanto quanto ele. John era centrado. Paul sempre soube quem é.

São só impressões, é claro. Mas gosto de imaginá-los assim: in the adult world of the fame, Ringo as the most childish of them.

18 de dezembro de 2009

Daqui pra frente

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2009 ainda não acabou, mas posso dizer que foi um ano bom. Principalmente porque me sinto mais jovem do que no ano passado, o que é ótimo. Espero ficar ainda mais novo no ano que vem.

8 de dezembro de 2009

Fluxo

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Cachorros correm sob a forte chuva. Um empresário refaz as contas e tenta salvar o mês. Um dono de bar vê no filho um jogador de futebol. A dona de casa, que casou-se com um príncipe, vê a vida perder o encanto. Um peão disfarça na cachaça do dia o quente que à noite lhe falta.

Uma jovem vende produtos da Natura. Um lojista limpa a vitrine. Doces meninas desfilam desejos juvenis. Um moço trabalha das sete às cinco, toma banho rápido e corre para o ônibus, à caça de um diploma.

Um a um, cai: o artista que sabe muito e não tem platéia, a platéia que muito quer e nada tem, a mulher que aos 40 procura uma companhia, a garçonete que sonhava em ser atriz, a atriz que aos 40 procura um papel.

A chuva cessa e o sol ameaça sair. A fila do banco pouco anda. E a do pronto-socorro não anda. O cigarro, ainda aceso, briga com o tempo. As poças d’água revelam mau recape. Os pássaros sobrevoam as casas. As bancas vendem os jornais do dia. Os jornais de ontem embrulham os peixes de hoje. O dinheiro troca de mãos. Camisas de futebol circulam.

Posto no blog. Você pára um pouco e lê. Tudo o mais segue. Os cachorros comemoram o sol.

4 de dezembro de 2009

Narciso

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Uma flor bonita e solitária, que nasce na beira dos rios e tem uma vida bastante efêmera, é conhecida como Narcisa. Colorida, ela se destaca da mata ao redor, exuberante, chamando toda a atenção para si.

Seu nome é referência a mitologia grega, de onde vem a história de Narciso, um homem extremamente bonito que se apaixona por sua própria imagem refletida na água. Enamorado por si mesmo, no entanto, ele se afoga no rio, o que expressa a idéia de que amar demais a si próprio é um risco preponderantemente letal.

O culto à imagem é antigo e não parece estar no fim. Pelo contrário: está intrínseco na pós-modernidade. Quanto mais belo, melhor, embora o signo da beleza não seja, para todos, o mesmo. Ao que parece, buscar a si mesmo é buscar um encaixe no ideal de beleza que mais lhe agrada. É “estar com os seus”.

Bom, mas tudo isso são apenas impressões, que poderiam ser particulares. E não são, porque tenho meu lado narcisista também. E um blog para expressá-lo.

1 de dezembro de 2009

Binoche (e Jacob)



Nunca gostei tanto de uma atriz quanto de Juliette Binoche. Acho muito bom tudo o que ela faz, sem contar que a considero uma das mulheres mais bonitas do mundo! Simplesmente a achei impecável em todos os trabalhos que vi, com destaque para O Morro dos Ventos Uivantes, A Insustentável Leveza do Ser, Chocolate, O Paciente Inglês e A Liberdade é Azul.

Je Vous Salue, Marie, que Godard filmou em 85, foi seu primeiro grande trabalho, mas nunca o encontrei. Este e Al di là Delle Nuvole, inclusive, são meus "filmes perdidos" favoritos, embora o último não tenha Binoche. Conta, e compensa, com outra grande atriz, a também francesa Irene Jacob.