27 de fevereiro de 2014

Entardecer

.
Há sempre algo que a gente nunca espera que um dia possa terminar. E, quando isso acontece, o que fica é um rito de passagem muito marcante.

Isso traz um monte de dúvidas que, juntas, nos dão algumas certezas. Entre elas, a de que a saudade é sempre uma faca que corta o peito. É uma dor diferente, e cabe à gente respeitá-la. A dor da ausência ensina que vivemos em um mundo cheio de finitudes, que o relógio gira imensamente rápido, e que infelizmente não nos damos conta. No fundo, a gente levanta bem cedo, com o sol nascendo, mas, de alguma forma, já entardeceu.

26 de fevereiro de 2014

É preciso ter motivos

.
As coisas mais simples são as mais difíceis de dizer, porque são as mais verdadeiras. Talvez seja por isso que, ao crescermos, tudo vai ficando cada vez mais complicado. Quando se é criança, é fácil dizer de que e de quem se gosta. Mas, ao passo que vamos entrando no mundo adulto, isso se torna um pouco mais difícil.

Não basta "sim" e "não": é preciso ter motivos.

8 de fevereiro de 2014

O que fica

.
A gente cresce todo dia. Vai dormir e acorda mais velho — alguns, mais maduros; outros, apenas mais velhos. Somos sonhos e ideais, um monte de pretensões e a ideia de que tudo vale a pena. São o que chamam de valores.

O que realmente importa, no entanto, é o que fica disso tudo. Os dias terminam e, com eles, muitas coisas se vão: palavras, juras de amor, noites de vinho e macarrão, aquela brincadeira de caminhar como se tudo tivesse uma razão ou um motivo para ser.

No fim, o que fica são só as pessoas, com suas crises e amores, com aquilo que há de mais humano, com suas tentativas de fazer a vida ter algum sentido.