27 de janeiro de 2010

Esmiuçando lágrimas

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Quando soube que "Lágrimas no Jardim", da Nuvem, é um relato sobre vida após a morte, mesmo que a seu jeito, muitos pensamentos me visitaram. Longe de ser piegas, religiosa ou moralista, a letra imagina um sujeito debaixo da terra, consciente de seu estado — e, de certa forma, conformado com a situação.

Sobre ele, um campo-santo: pessoas que, consternadas, prestam homenagens a um homem já privado da vida, subjugado, e que, por sua vez, rememora e reconforta-se, inerte: “E tudo o que na vida me faltou não adianta mais. Hoje não sinto o vento; e a tempestade é meu motivo para ser feliz”.

A música é um alento, embora o sujeito saiba, passivo, que não há o que fazer. Sua esperança está, por isso, em esperar. Resistir, de certa forma, a lógica da existência.

Sou cético sobre o que a letra diz, mas não deixo de reconhecer sua beleza. E, claro, esta é minha leitura para ela, embora saiba que para o Rika seja outra. É que músicas têm graça exatamente aí: a cada um significam coisas diferentes. Como a própria vida, aliás.

25 de janeiro de 2010

Findo o dia

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Cessa a chuva e os galhos balançam no topo das árvores, parecem sorrir. Por entre o cinza do céu e da cidade, um vento suave e ateu arrima nas paredes, dobra esquinas e vence a tudo. Ele chega, independente dos carros que não param, e purifica mais um dia de trabalho.

É começo de semana e só me resta ir para casa. Um cachorro me espera, uma cama, demais amores. As segundas nem sempre são perfeitas, têm o azar de caírem após os domingos, mas não me queixo nem um pouco desta. Se todo fim de tarde fosse assim, não precisaria sequer de música para me revigorar. Porque me basta este céu, onde o vento sopra sem pecado e a água ameaça cair de novo, desta vez levemente, porque já está tudo limpo.

22 de janeiro de 2010

130

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Todo mundo olha para Brasília e acerta as horas. Pura conveniência: os minutos não são iguais. O tempo muda de relógio para relógio.

Cansado de se perder no ponteiro dos minutos, um amigo me disse que já não o olha mais. Quando chega a hora, sempre alguém avisa. Já outro anota todos os seus compromissos, com os horários cortados a cada meia hora. Sobra até um tempinho à tarde para o lanche.

Qual deles tem o dia na mão?

5 de janeiro de 2010

2010

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Começado o ano no calendário, ontem também começou no trabalho. E hoje começa aqui no blog. Espero que seja um ano bom para todos nós, sobretudo para os amigos que aqui visitam. Aliás, obrigado desde já.