15 de março de 2012

Três casas

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De um lado, Malaca reclama da correria de Johnny, já rouca pela idade.

Do outro, Bob avisa que está ouvindo tudo, ciumento que só, mas mais discreto.

E Duda, aqui e na dela, não está nem aí, embora, ao que parece, seja só charme.

E os quatro brigam e se divertem.

14 de março de 2012

Por outro lado

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Desde então, assumi os tira-gostos como essenciais à vida. Às vezes, é verdade, me levam para lugares distantes e eu os agradeço. Às vezes, não quero voltar.

Eu quis esquecer. Admiti, enfim, que tentei a todo momento um controle que jamais mereci. Acho que éramos de mundos diferentes, ainda que gostássemos da companhia um do outro e de coisas semelhantes.

Aprendi, por fim, que há outras coisas para me entreter.

13 de março de 2012

Por um lado

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Toda vez que meu juízo foi mastigado pelo desejo de ter você por perto, me guardei. Por dentro, a velha chama. Por fora, o de sempre.

Ficou a impressão de que nunca me feri: de meu passado seguro, nunca tive nada a reclamar. E você, que sempre me entendeu por inteiro, foi vítima de meu total e indiscreto desapego.

Porém, sempre foi tudo diferente: escondi torcer pelo fogo na luta contra a água. Gelando os relacionamentos, me fiz de rei, mas sempre senti falta do calor retraído.

Também por isso, o vinho é o amigo de agora: frio, me ajuda a neutralizar a chama que insiste em não morrer.

8 de março de 2012

Dálias II

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E se o perdesse, o que faria? Teria a chance de recomeçar? Era assim tão dependente de afeto? Conseguiria se apaixonar outra vez com a mesma intensidade?

“Oras, mas que bobagem, nada termina!”, argumentou. “Porque, afinal, as coisas se transformam”.

Ela não se contentava com a ideia contrária. Para ela, havia algo de perpétuo em tudo, como se até a mais insignificante das causas tivesse a sua sempiternidade garantida. “Como em A Persistência da Memória, aquele belíssimo quadro”, explicou.

Na parede, as Dálias tinham enorme espaço. E ficavam protegidas, pois não suportam ventos talvez nem mesmo na pintura.