29 de julho de 2011

O magro

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Ofegante, me espelhava numa mulher gorda quando, adolescente, algo inesperado acontecia. Era inspirador. Ela me fascinava, possuía uma bonita história de lutas perdidas. A perda, com ela soube, ensina muito, bem mais que as vitórias.

Seus conselhos permanecem inalterados, como o cheiro das manhãs. Ela costumava citar ditados populares, “só a mudança é permanente!”, e eu, em meu agnosticismo latente, dizia “amém”.

20 de julho de 2011

Um ao outro

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Em certo pedaço: um poste, um bar, duas casas, dez coisas – uma sobre a outra –, uma loja, outro bar e outro poste, carros, bichos e vidas. Sobre ele, músculos, células, sentimentos e idéias, tanta coisa junta, sobre e por dentro da outra.

Dois mundos que vivem – e ambos se completam; reconstroem um ao outro.

6 de julho de 2011

Boomerang

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Submetidas aos vícios da geração anterior, as crianças crescem e adquirem hábitos. Reprocessado, o cinismo se transforma em escândalo.