27 de fevereiro de 2011

O que não se apaga

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Se as coisas verdadeiras são aquelas que duram, não é difícil perceber o que vale a pena e o que não. Por esse motivo, e só por esse, é preciso separá-las em categorias distintas: as que merecem crédito e as que não merecem.

Na primeira, fica o que permanece. Na segunda, o que dura tempo irrisório e depois se apaga.

Por esse motivo, mas não só por esse, tenho orgulho de tudo o que me dá saudade: mais do que a verdade, prova que o tempo e a luta nunca foram em vão.

Guardado, como aquelas coisas que ficam numa caixinha de sapato em cima do guarda-roupas, fica o que jamais deixará de ser importante para mim, mesmo que não signifique nada para mais ninguém.

23 de fevereiro de 2011

Tudo solto e sem regra

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Bate o pão no leite com café. Vê cimento, areia e água. Fala de gesso, cal, bate a pá, sobe um pó. Vê pedra e suor, água e sol. Toda manhã pelo amanhã do amanhã. Pela noite da noite.

Tira a camisa, enxuga a testa e olha a saia. Ninguém mais viu? E ninguém trouxe a malvada? Sem um gole e sem baralho o dia é mais longo!

Feijão e arroz, batata e água. Baita sol. Tijolo que não termina. Tarde que não se vai. Risos, sonhos, futebol e carnaval.

Guarda tudo. Banho, jornal, cama e namorada. Um sonho sem regra. E o dia nasce de novo.

22 de fevereiro de 2011

Diálogo sobre o dia

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– Por que ser tão lacônico?
– Porque as palavras são boas, mas o silêncio ensina.
– E você é assim o dia todo?
– E a noite também.

– Mas é de dia que tudo acontece, não?
– Mas é de noite que tudo faz sentido.

– É isso! E amanhã, dizem, vai ser diferente.
– Porque o sol sempre vem. Por isso, sim.

21 de fevereiro de 2011

Diálogo sobre a noite

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– O sol só me interessa de duas maneiras, se pondo ou nascendo. No entanto, é verdade o que dizem sobre a boemia, isso de ela ser somente um sonho. Então eu perco o chão.

– Sei o que isso significa. Mas veja o meu caso: eu fecho os olhos e fica tudo bem! Respiro fundo e imagino a noite da noite da noite. Um efeito placebo que me revigora.

– Até quando?
– Até o sol não-nascer.

– No fundo, você está certo. Embora a razão seja minha.
– A verdade é que escolhi ser pra cima. E você, o certo.

19 de fevereiro de 2011

Perspectiva

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Não é fácil, mas é útil e torna o mundo melhor. Aquele momento, como sugeria Gramsci, em que o velho ainda não morreu e o novo ainda nasce, é a causa e a solução de tudo.

Fosse o contrário, ainda estaríamos grunhindo em cavernas.

14 de fevereiro de 2011

Reduto

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– Hey, fecha!
– Mas você...
– Fecha!

O mundo, quando escuro, é bem mais suportável. Se os sentimentos não têm cor, por qual motivo acender a luz? É simples assim. E não adianta vir com teorias contrárias, porque tudo, exatamente tudo, não passa de uma.

Pois está certo: me deixe com meu azul-preto e meus lençóis. Porque, no final das contas, o que realmente importa é só o que importa a cada um. E já estou cheio disso tudo, intempestivo como sempre.

13 de fevereiro de 2011

Limite

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Até onde sei: até onde posso.

10 de fevereiro de 2011

Time

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Pisando o mesmo chão todos os dias, me dou conta do quanto “the sun is the same in a relative way, but you're older” tinha outro significado quando ouvia lá atrás, aos 13, 15 ou 17.

Reouvir algumas músicas tem sido tarefa para leão.

9 de fevereiro de 2011

Love

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Se é verdade que, em primeira e última instância, ele é o problema e a solução de tudo, então, de fato, o mundo gira ao seu redor. Do sangue que circula em nossas entranhas àquele que se derrama nas guerras: por trás de tudo, ele é o senhor dos impulsos.