20 de setembro de 2013

Vila, Vilania

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É um local frio. Uma fina chuva sempre cai no fim de tarde. Não há muitas esquinas, as pessoas caminham em linha reta e se cruzam mornas pelo caminho: o mesmo trajeto, o mesmo velho chão. A repetição é seu encanto e poesia. Ela acontece muitas vezes durante o dia, mas raríssimas à noite, porque o medo da escuridão abate os moradores. São poucos os habitantes. É uma vila gelada e escura. 

Durante o dia, o lugarejo muda. As mulheres saem das casas, para a feira ou para a compra de utensílios, param em pequenas rodas e conversam. Nesse local, portanto, a preocupação com o relógio não é um problema das mulheres, dos bichos e das crianças, mas um problema masculino. E só o interesse é grande. As casas são próximas umas das outras e não há grades ou muros separando-as, mas há ouvidos em todo canto. Portanto, não é o medo de se perder na liberdade a maior preocupação dos moradores, mas algo maior: o uso indevido da confiança.  

A vila não foge à regra: é um grande palco e há muito teatro em todo lugar. É uma grande lousa onde se lê uma variedade enorme de clichês.